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Jóia de minas

Um legado de carinho.
Uma jóia de Minas que espalha Brasil pra todo lado.

por hélvio lima
fotos jorge h. paul

Nenhum porta-voz oficial do lugar eu sou, mas uma coisa há que se convir, faço parte, com certeza, de todo este romanceiro poético-sentimental, desenvolvido a partir da publicação de um jornal que recusa o rótulo - ser um jornalzinho qualquer.

Porém, nada mais do que uma publicação caseira, criada sem grandes pretensões, senão a de ser “cultural”, para fazer valer o conceito de que tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

O objetivo plenamente se cumpre ao fazermos o resgate dos valores e ver reconhecidas as personagens e as histórias de um pequeno bairro, em uma cidade de médio porte, no cerrado, triângulo das minas gerais, no meio destes brasis.

Ninguém merece ou todo mundo merece soltar a voz para todo mundo ouvir?

A partir das segundas intenções que a frase anuncia, vale soltar o verbo através das palavras ufanistas ou não, apaixonadas vozes do bairro, vozes da aldeia, que hão de universalizar-se depois de se fazerem conhecidas através da publicação de seus artigos, crônicas ou poemas para o mundo, contando os mínimos detalhes de um bairro, o Fundinho, que deve existir em todos os lugares.

Tantas e tantas pessoas interessadas em ver publicadas suas histórias. Senhores grisalhos, senhorinhas gentis que os seus muitos anos de vida trouxeram a experiência do bem viver.

Uma tradutora famosa, uma premiada escritora, um memorialista, um poeta reconhecido, uma comadre nossa, um compadre também interessado em escrever. Uma miss. Um pintor.

A fragrância dos relatos, variados temperos, conversas sutis, encontros de amigas na praça. As conversas de pé-de-ouvido nas portas das casas que ainda estão de pé.

O burburinho da criançada saindo da escola.

O vai-e-vem dos taxistas no ponto. Os gritos dos ambulantes oferecendo seu pão. Até uma moçada esperta, adolescentes dias, vem pegar onda nas páginas de cada edição.

Contribuem todos ao oferecer-nos interessantes relatos sobre o lugar. Um parente, um conhecido, um amigo que viveu por aqui.

Contam-nos casos hilários que aconteceram ainda agora, com um transeunte comum, desconhecida face, alguém que chegou de repente e passou feito um cometa, objeto facilmente identificável numa esquina qualquer da Marechal Deodoro, Tiradentes, Felisberto ou José Aiube.

Complementam a história tradicional ao enviar-nos suas histórias curiosas, bonitas ou tristes, críticas mordazes ou sugestões que vão muito além do lugar comum dos rotineiros noticiários.

Assim, o veículo circula por entre vanguardeiras vernissages de jovens talentos que o museu de artes privilegia. Ginga na ponta das sapatilhas das bailarinas no estúdio de dança.

Soa por demais contemporâneo nas apresentações minimalistas, lugar cativo no palco do teatro experimental.

E entre as sugestões com as quais nos brinda as vitrines luxuosas e seus blindex, o bairro circula versejado nas páginas do jornal Fundinho Cultural que descreve a trajetória de um lugar estabelecido entre a tradição e a vanguarda.

O Bairro Fundinho repercute através do jornal Fundinho Cultural, nas páginas de outros jornais, como aconteceu no artigo “A fértil terra”, na coluna de Manoel Hygino dos Santos, notável cronista do jornal Hoje em Dia, jornal diário de Belo Horizonte - MG: “E há o Fundinho, algo de muito especial e saboroso, que é o bairro antigo, preservado para a glória dos que construíram e ajudam a construir a cidade que não para.

E um passado de histórias ricas e inesquecíveis que o próprio Fundinho Cultural mantém vivo”. Ou através das palavras da intelectual e escritora Ilma Fontes publicadas no jornal O Capital, de Aracaju - SE : “O jornal Fundinho Cultural, uma jóia de Minas que espalha Brasil pra todo lado; um legado de carinho com a memória de seu bairro.

Biscoito fino para o paladar de pessoas exigentes”. E, indo mais longe, nas palavras de Antônio Silva Neves em suas Crônicas Provincianas, no artigo intitulado Uberlândia, publicado no jornal Região Bairradina, da cidade de Anadia, em Portugal :

“A terra onde se nasce agarra-se ao indivíduo e à sua personalidade como condicionante relevo, sentimento, enriquecimento. Pode, até, a terra natal ser ingrata, encontrar-se noutras paragens melhor sorte, realização, riqueza..., mas a verdade é que tal facto, do nascimento, num espaço concreto, numa terra com o seu nome e situação, nunca se renega ou nunca se pode renegar. Hino em prosa é o que Aricy Curveilo escreveu respectante à sua terra natal no Fundinho Cultural”.

Documentando o cenário das ruas estreitas e o bucólico clima do Fundinho, a maestria do trabalho do fotógrafo Jorge Henrique Paul. Só um artista fotógrafo, habitante do Fundinho, apaixonado pelo lugar onde sempre viveu, sabe captar as preciosidades e minudências que o bucólico ambiente oferece.

Helvio Lima / Artista Plástico e Escritor
helvio_artes@yahoo.com.br

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